A JORNADA A CAMINHO DO BURNOUT
Artigo de Marco Ornellas

Escrito por Marco Ornellas

 

Parabéns, você acabou de conseguir um novo emprego. Ou foi promovido e começa a trabalhar em uma nova posição. Seja um ou outro fato para comemorar, preste atenção por que pode aqui estar começando a sua caminhada em direção ao Burnout.

Estágio 1: A empolgação é grande, vontade de mostrar serviço. O prazer que você sente te faz ir até além dos seus limites, você mal vê o tempo passar. Você quer mostrar para você mesmo e para os outros que ter sido escolhido foi a melhor coisa que podiam ter feito. A sua criatividade flui, a produtividade é grande. Tudo parece estar indo bem. Tudo é novo. A vontade de mostrar competências, resultados e transferir habilidades aprendidas em outras experiências te faz mergulhar de cabeça.

Esser primeiro estágio também é descrito como a Fase da Lua de Mel, quando começamos um novo trabalho ou atividade e tudo parece lindo, é a fase do “sem limite” “sem noção”, onde muitas e muitas vezes avançamos com foco, mas sem consciência. Ainda que não tenhamos experimentado algum estresse, antes de avançar para os estágios seguintes, é importante ter consciência do que e como estamos vivendo, assim como estabelecer formas de lidar com a pressão. Por exemplo, ajuda muito desenvolver um hobby ou encontrar uma forma de equilibrar ou harmonizar o trabalho e a vida pessoal.

Quando não conseguimos, passamos para o estágio seguinte do Burnout, já entrando no estresse:

Estágio 2: Você continua animado, gosta do trabalho, das pessoas, da organização, mas alguns dias já parecem mais difíceis que outros. Começa a sentir uma mudança no apetite, no seu padrão de sono, começa a esquecer um pouco as coisas. Surge a ansiedade, que vem com bruxismo e dores ocasionais de cabeça ou musculares. Natural algum retraimento, aumentam as palpitações em momentos de maior cobrança, vai ficando cada dia mais difícil você focar no trabalho.

É claro que nesse estágio ainda estamos falando de um estresse “comum”, que todos podemos experimentar em algum momento. Aqui, a novidade da nova posição já passou e você começa a prestar mais atenção nos problemas do que nos prazeres do seu trabalho. E pior: começa a levar para casa essas questões.

Estágio 3: Agora, você varia da apatia para um comportamento por vezes mais agressivo. Apesar do cansaço crônico, da perda de prazos importantes, da falta de interesse sexual, você nega que esteja com problemas em casa ou no trabalho. Há uma sensação de que tudo isso é normal e vai passar. Nesse momento há uma tendência de aumentar o consumo de cafeína, ou mesmo de álcool e drogas. Por vezes, até se sente ameaçado ou em pânico, o que o leva a se afastar amigos, colegas e mesmo familiares. O isolamento é uma solução para não mostrar a sua vulnerabilidade, afinal temos que mostrar sempre e somente nossas fortalezas.

Esse terceiro estágio é caracterizado pelo Estresse Crônico. Você vai ver que a palavra “crônico” aparece muito daqui para frente, na lista de sintomas. O estresse aqui, já se estabeleceu e se tornou parte da sua vida. Mas ainda tem mais:

Estágio 4: Seu comportamento já está totalmente mudado, as pessoas em volta não o reconhecem mais. As dores de cabeça são crônicas, assim como problemas intestinais ou estomacais. Tudo o que você quer é sumir, ir para longe de tudo relacionado a família ou trabalho. Você se sente vazio por dentro, duvida de si mesmo, se isola. Fica pessimista e até obsessivo com questões da empresa ou na sua vida pessoal. Desenvolve uma mentalidade escapistas, buscando outras atividades pouco produtivas, aumentando tempo que dedica às poucas coisas que ainda lhe dão prazer, seja um uísque ou um videogame. Se pudesse, passaria o dia assim, sem se preocupar até mesmo com sua higiene pessoal.

É onde você chegou ao burnout propriamente dito. Os sintomas do estresse se tornam críticos. A vida muda e a partir daqui e não dá para seguir sem ajuda médica e de profissionais da saúde. Uma mudança no seu cotidiano também é obrigatória. Se você tentar seguir sem essas mudanças, você pode avançar para o quinto estágio (sim, ele existe).

Estágio 5: Aqui, você já desenvolveu depressão e uma tristeza crônica. Sair da cama é por vezes uma impossibilidade e tudo fica crônico na sua vida, como o cansaço físico e mental. Aqui a sua força interior, seu Eros, a força que transforma a energia estagnada em atividade, está perdida e com ela a força propulsora que move o mundo.

Esse é o burnout habitual. Todos os sintomas listados passam a fazer parte da sua vida, da sua família e inevitavelmente afeta sua vida profissional. E ela não vai ser tranquila, pode acreditar.

Essa foi a sua caminhada rumo ao Burnout, através dos 5 estágios que o compõe, segundo um estudo da Winona State University, dos Estados Unidos.

A saúde mental foi enormemente afetada na pandemia. Problemas recorrentes do trabalho, com o Home Office, foram obrigatoriamente levados para dentro de casa, sem opção. Nesse momento, em que começamos a ver uma luz no fim do túnel e todos se preparam para uma volta ou mesmo pela manutenção do trabalho remoto, é importante cada vez mais prestar atenção à todo e qualquer sintoma que possa indicar estresse, burnout ou qualquer outra desordem.

É preciso que essa atenção e esse cuidado façam parte da cultura de todas as empresas.

 

Artigo escrito por Marco Ornellas – Consultor e CEO da Ornellas Consulting

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