Inclusão da Diversidade
#06 – Os Programas de Autismo nas Empresas

Nesse episódio entrevistei Eliane Demitry e Thaís Catarino da SAP; Suzana Kubric – Diretora de RH da Kantar e Marcelo Vitoriano Diretor Geral Specialisterne Brasil, dialogando sobre o Autismo no mercado de trabalho.

A possibilidade de pessoas com autismo conseguirem uma oportunidade de trabalho está muito longe do ideal ainda que estejamos melhorando exponencialmente mundo a fora. Para quem tem TEA de alto funcionamento — como se diz quando suas habilidades sociais e de comunicação são menos comprometidas — parece ser mais fácil, mas nem sempre. Os números ainda impressionam – cerca de 80% de adultos autistas estão fora do mercado de trabalho. Só no Brasil, esse número pode chegar a 1,4 milhão.

O que muitas empresas vêm percebendo é que portadores de TEA podem ser altamente produtivos, desde que se encontre a função certa para o perfil de cada um. As dificuldades para se comunicar e interagir socialmente, tendência a padrões repetitivos e interesses focados, podem ser superadas por virtudes como a memória acima da média, a aptidão matemática, a ligação natural com a tecnologia, o talento artístico, a habilidade visual, a alta capacidade de concentração – especialmente quando gostam da atividade –, a honestidade e a fácil assimilação de padrões e regras.

O caso da SAP, desenvolvedora alemã de softwares de gestão de empresas, é uma referência dessa visão. A empresa desenvolveu em 2013 o programa Autism at Work e já tem mais de 140 colaboradores com TEA em 13 países, atuando em diferentes funções – no Brasil, são 19 autistas contratados, sendo dez efetivos e nove estagiários, distribuídos por áreas técnicas, como desenvolvimento de soluções e suporte às vendas.

A Kantar é outra empresa que abraçou essa causa. Líder global em inteligência de mídia, braço do´Grupo WPP, maior grupo de publicidade do mundo. Em 2017 se instalou o Comitê de Diversidade dentro da Kantar e como num insight descobriram a aderência muito grande das potencialidades dos neurodiversos com um dos cargos que exige rotina e concentração. O olhar foi para a potência e não para a deficiência. Segundo Suzana, tem sido uma jornada de muita aprendizagem, transpiração e de muito sucesso.

Specialisterne é uma organização social, nascida na Dinamarca em 2004, com o objetivo de promover a capacitação de pessoas com autismo em tecnologia da informação e desenvolvimento de habilidades sociais com vistas à inclusão profissional, em atividades de TI e tarefas administrativas. Hoje, a Specialisterne está presente em 21 países com projetos em 50 cidades. Este projeto contribuiu, no mundo, com a inclusão de mais de 10.000 pessoas com autismo no mercado de trabalho. No Brasil, desde 2015, proporcionou a formação e capacitação de mais de 170 pessoas com autismo, contribuindo com a inclusão de mais de 120 profissionais no mercado de trabalho.

Para todos os entrevistados lidar com programa de autismo dentro das suas empresas acabou sendo o projeto do coração.

Como todas as outras conversas, essa não ficou atrás, foi uma conversa muito inspiradora.

 

 

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