Ética & Liberdade: dois lados da mesma moeda
Artigo de Graziela Merlina

Sabe aquele termo “corrente do bem”, que já teve inclusive livro, filme, movimentos diversos? Aconteceu comigo há alguns meses. Aliás, acho que acontece com todo mundo bem mais do que nos damos conta. O meu querido amigo, colega de trabalho e parceiro filosófico @GuilhermeCeballos, comentou comigo sobre o livro “Ética Para Meu Filho” de Fernando Savater, o qual havia recebido de presente da @PatriciaBraile por quem tenho profunda admiração pela coragem de liderar transformações. Ambos envolvidos com a causa que abracei na minha vida, @CapitalismoConscienteBrasil. E nessa corrente do bem, acabei por comprar e ler o livro que tanto me chamou atenção pelo nome.

Mal sabia eu, que algo muito marcante ficaria pra mim e para meu estilo de vida. Então, já começo agradecendo ao Gui e a Patrícia e tantos outros que vieram antes nessa corrente do bem. Além de agradecer ao autor pela livre escolha de escrever sobre ética para jovens entre 14 e 16 anos, idades exatas dos meus filhos nesse momento de vida. E assim, fez com que a mãe deles pudesse se dar conta da liberdade ética ou da ética livre que já faz parte de suas tão jovens vidas.

O que ficou pra mim dessa obra? Dar-me conta de que ética é acima de tudo o que fazemos com a nossa liberdade. O que escolhemos ao sermos livres pra escolher, e a responsabilidade que isso nos traz.

Lutamos por uma liberdade, mas sem ela seria tão mais simples. Sem a liberdade não haveria culpa, vergonha, orgulho. Afinal, teríamos algo a responsabilizar que não a nós mesmos. Em que momento nos damos conta de que tudo, simplesmente tudo é resultado de nossas escolhas? Assim como tudo, simplesmente tudo, tem um impacto ético?

Ética é a consciência do uso da liberdade. Uau. Tão simples e profundo ao mesmo tempo. Pra não dizer assustador.

Por quê? Porque nos coloca na responsabilidade de compreender por que fazemos o que estamos fazendo. O que pode nos fazer deparar com escolhas pessoais de:

1.     Obedecer: está fazendo o que está fazendo por obediência a alguma ordem ou comando recebido? Por que está escolhendo obedecer? O que ganha com isso? O que te leva a seguir a ordem? O que a consciência sobre essa escolha diz sobre você e seu momento de vida?

2.     Manter o hábito: está fazendo o que está fazendo por costume? E por que está repetindo o que se costuma fazer? Usou sua liberdade para questionar o quanto o costume ainda faz sentido pra você e pra todos que são impactados por ele?

3.     Atender a uma vontade própria: está fazendo o que está fazendo por capricho? Ao fazer essa escolha, pelo que está se deixando levar? Qual capricho, desejo, necessidades suas estão sendo impulsionados ao fazer essa escolha?

Tais escolhas são frutos da liberdade de cada individuo. A ética provém da consciência do uso dessa liberdade. E, ninguém pode viver a minha liberdade por mim. Nem tão pouco, o remorso pelo mau uso dela.

Fica pra mim uma enorme reflexão como mãe, e também pelo meu papel profissional que toca a tantas pessoas todos os dias: liberdade e ética são dois lados da mesma moeda, e só poderão estar em conexão dentro e fora de nós, quando aquilo que somos superar a nossa necessidade de obedecer, manter hábitos ou atender caprichos pessoais.

Afinal, há um trecho de grande alerta nessa obra: “Não há pior castigo do que perceber que por nossos atos estamos boicotando o que na verdade queremos ser”.

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Aos meus filhos amados, entrego a consciência da liberdade ética

Não espero que me obedeçam. Perguntem a si mesmos o que fariam com a sua liberdade. Questionem. Mostrem suas ideias e emoções. E ao obedecer, tenham consciência que é por uma liberdade ética.  Não caiam na sedução confortável, que ao obedecer, ganham espaço para culpar seus pais, familiares, professores, governantes.

Não espero que mantenham tradições. Honrar e agradecer o passado é nobre. Apegar-se a ele pode ser tóxico. Espero que saibam diferenciar essas duas coisas. Afinal, não se pode ser ético com o passado ferindo a liberdade do futuro.

Não espero que não tenham caprichos. De jeito nenhum. Isso é humano. O que farão com isso é o que vai diferenciar o que é ético do que é irresistível, o que é liberdade do que é prisão do ego. Corram o risco de não se deixarem levar pelas tentações que o sistema em que vivemos nos ofertam a todo instante. Corram o risco de fazer suas virtudes superarem suas vaidades. E, se algo der errado, saibam que a sua liberdade ética já deu certo.

 

Graziela Merlina é Diretora de Educação do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, Idealizadora do HUB Consultores Conscientes @CasaMerlina, Co-Fundadora do Instituto Emana, Game Designer e Palestrante

https://www.linkedin.com/in/graziela-merlina-7b9296/

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