UMA NOVA (DES)ORDEM ORGANIZACIONAL

Sempre de olho no futuro, Ornellas mostra agora que,embora boa parte dos líderes e das empresas estejam paralisados, a velocidade das mudanças não diminuiu e já transforma negócios e empregos. As provas estão espalhadas por diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, ao apresentar os grandes movimentos em curso por organizações como:3M, Águia Branca, BR-Malls, B3, FCA-Fiat Chrysler Automobiles, John Deere, Share RH, Wiz e outras.

“Eu acredito que é possível olhar para a desordem atual com mais leveza. Ao invés de enxergá-la como um problema ou um dilema que nos espreme contra a parede, por que não entender esse momento como um convite à transformação da nossa forma de ser e de fazer?”

A obra, que começou a ser escrita no ano passado, já demonstrou estar à frente do seu tempo por discutir questões que, agora, em meio à pandemia, se tornaram ainda mais relevantes. Entre elas, a transformação digital de Recursos Humanos, o papel estratégico da área para o mundo dos negócios, a necessidade de um novo tipo de profissional de RH, com habilidades e posturas diferentes das de hoje, e a importância de se observar o futuro com uma percepção crítica, “no sentido de estudá-lo no agora, não esperar que ele chegue”, pontua.

Marco, no entanto, adota um tom otimista sobre os impactos da crise para as organizações – e não à toa o nome escolhido para o livro. Seu argumento é que elas podem encontrar uma nova ordem organizacional justamente em meio à desordem do presente. “Esse processo não está restrito aos negócios: uma nova humanidade está surgindo dessa desordem, criando uma nova ordem, e os impactos desse movimento serão sentidos na forma como empresas e mercado atuam”, explica.

 

A seguir, leia uma breve entrevista com Marco Ornellas:

Como as organizações podem usar a crise do coronavírus para fazer as mudanças que você sugere no livro?

Estamos nos reorganizando e criando uma nova ordem no novo normal. A crise da covid-19 é só o ápice das mudanças que já eram anunciadas, porque o modelo de sociedade e de negócios que nos trouxe até aqui já estava em declínio. Nesse sentido, precisamos desenhar novas organizações em vários sentidos: revisar estratégias, arquiteturas, processos, pessoas, produtos e modelos. Tenho dito em meus cursos que o freio de arrumação da covid veio para nos dar a oportunidade de criarmos um novo final. Esse é o presente que recebemos.

Qual seria o RH ideal pós-crise? Qual lugar ele ocuparia nas empresas?

Nunca antes o tema “pessoas” foi parte tão relevante da agenda executiva. Esse é um ponto importante. Esse RH precisa ter um lugar estratégico, porque é ele que vai ser responsável por cuidar de pessoas tanto no que diz respeito à atuação, quanto à capacitação. Mas esse Recursos Humanos ainda terá que mudar o mindset, a cultura e o modus operandus, passando a olhar para todos os stakeholders do sistema; se apropriando cada vez mais de toda discussão que há em torno do conceito de Employee Experience; entendendo que não existe mais padronização – a economia pós-digital abraça exceções, adora anomalia, subverte a hierarquia, quebra controles, desafia convenções e se diverte na espontaneidade; precisa desenvolver protagonista; deve ser flexível e móvel, trabalhar cultura de inovação e usar e abusar de metodologias móveis.

Os RHs estavam conscientes de que precisavam empreender transformações antes da pandemia ou foi apenas quando ela chegou que houve essa percepção?

A pressão sobre a área já era grande, mas ela aumentou consideravelmente e, arrisco dizer, se tornou ininterrupta. A área se tornou o mobilizador e o facilitador das decisões, não mais centradas em “comando e controle”, mas em “cuidar” das pessoas para cuidar do negócio nesses primeiros dias de afastamento social. As lideranças de RH podem ainda não ter uma visão holística de todos os stakeholders, mas atuaram com muita propriedade na preservação da saúde dos funcionários, além de outras práticas de responsabilidade social. Muitos deles foram além, diante desse contexto complexo e caótico, ao reavaliar e redesenhar atividades, estruturas e processos.

Como a desordem de agora pode gerar uma nova ordem?

 Várias questões podem ser levantadas nesse período e gerar insights valiosíssimos. Por exemplo: será que uma boa infraestrutura digital não é mais vantajosa para a empresa, para os funcionários e para as famílias do que manter milhares de posições de trabalho em um prédio espelhado, em um centro urbano, com trânsito frenético? Na mesma linha do estilo de vida minimalista, menos é mais. Na quarentena, quando o foco se volta para o essencial, é possível perceber os excessos cometidos – muitos cargos e níveis, além de atividades e processos sem valor, por exemplo. Eu tenho dito que o coronavírus fez nascer uma nova ordem: uma sociedade mais unida pela hipercolaboração, um modelo de negócios mais sustentável e consciente, uma organização mais humana, leve e com propósito e, por fim, um novo humano.

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