Por que os valores profissionais e pessoais não são coisas diferentes e separadas

Dentro do ambiente de trabalho, as empresas têm meios legais de lidar com a má conduta de colaboradores e com atitudes que divergem dos valores da organização, mas a maior parte dos gestores não sabe como agir em casos cujo comportamento fora do ambiente corporativo é inadequado sob a visão da empresa.

Alguns casos podem gerar demissão enquanto outros, medidas disciplinares. Independente do desfecho da situação, há um prejuízo para o colaborador no ambiente de trabalho e na sua relação com os líderes e colegas. Por esse motivo é preciso assumir que os valores pessoais e profissionais não são coisas diferentes.

Para as gerações mais antigas, era muito mais simples lidar com vida pessoal e profissional separadamente, mas na era da internet e das mídias sociais os valores de uma pessoa e as ideias que ela defende podem impactar diretamente a organização para a qual ela trabalha.

Quando um comportamento socialmente indevido viraliza nas redes sociais, há uma pressão para que aquela pessoa sofra as consequências morais devidas, seja com relação à sua vida pessoal ou profissional – que inclui, mas não se limita a, perda do emprego.

É crescente, no Brasil, o número de casos de empresas que optam por demitir colaboradores que tiveram suas imagens particulares associadas a condutas inadequadas. Um dos exemplos mais recentes é o caso de uma mulher que, em meio a uma aglomeração social durante a pandemia, discutiu e desrespeitou um fiscal.

Em menos de 24 horas após a matéria ser veiculada em rede nacional de grande impacto, ela perdeu seu emprego. Em declaração à imprensa, a organização indicou que a atitude da ex-colaboradora diverge das ações que a gestão estava realizando para garantir a segurança e saúde de todos desde o início da pandemia, além de sua atitude ter gerado riscos para a sociedade. Ou seja, os valores da pessoa e da empresa não estavam alinhados.

A teoria representa a prática

Embora muitos gestores ainda não tenham entendido, os valores que uma organização prega e divulga em seus materiais a acionistas e outros públicos devem ser uma representação do que é praticado no cotidiano. Ou seja, se o “respeito à diversidade” é um dos valores da empresa, ela precisa praticar e ter um quadro de colaboradores que representem essa diversidade.

Porém, uma organização é formada por pessoas, cujas atitudes são vistas como o posicionamento prático da instituição. Portanto, se um colaborador tem uma prática desrespeitosa ou indevida em seu ambiente social, com a qual a empresa não compactua e que represente riscos sua à imagem, ela tem o direito de optar pela demissão dessa pessoa.

Para evitar que situações como essa ocorram, temos o dever de disseminar a cultura organizacional e os valores que pautam a história da empresa. O desafio passa ser buscar contratar pessoas que compartilhem dos mesmos valores, o que chamamos de contratar por valores e criar ações cotidianas que estimulem a prática dessas atitudes, o que também ajuda a formar uma cultura colaborativa e sustentada em práticas saudáveis.

Um bom caminho é criar oportunidades para que as pessoas se unam em prol de uma causa maior, como arrecadação de roupas, brinquedos ou alimentos para populações vulneráveis. Essa prática é uma forma de educar os colaboradores na própria cultura organizacional e estimular neles uma nova visão dos ideais corporativos.

Algumas empresas promovem, também, ações para atrair e valorizar aqueles que estão mais alinhados com seus valores, tais como estimular a indicação de profissionais conhecidos para vagas em aberto, convidar os colaboradores para serem embaixadores da cultura e premiar ações bem vistas pela comunidade interna.

Porém é fundamental que o Recursos Humanos, junto do departamento jurídico, documente, comunique e divulgue internamente o que é tolerado pela organização dentro e fora do ambiente de trabalho.

Para que as ações disciplinares ou demissionais não sejam subjetivas, é recomendado criar políticas que esclareçam quais são as medidas que podem ser aplicadas em caso de atitudes que comprometam a imagem da organização, a segurança do ambiente de trabalho ou que gerem desconforto aos outros colaboradores.

 

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