Qual deve ser a postura do RH diante do surto de coronavírus?

Somente os visionários e futuristas poderiam imaginar que a sociedade e os negócios iriam viver o que estamos vivendo. Estamos no meio da segunda grande calamidade do século 21.

Com a decisão de isolamento físico (social) por parte do poder público, muitas empresas tiveram que fazer, no apagar das luzes, com que seus colaboradores entrassem em modo home-office imediatamente – sem preparo ou planejamento. Fato é que não havia, no Brasil, nenhuma empresa devidamente pronta para enfrentar a crise atual.

Passado o sufoco inicial e agora com o home office e as medidas governamentais já em curso, é essencial que o RH se organize e forneça apoio aos seus colaboradores, até porque alguns cientistas e especialistas apontam que esse isolamento físico ainda deva demorar algumas semanas.

Além de ser um momento de muitas adaptações, o isolamento pelo novo coronavírus pode ser ainda mais difícil: há notícias de aumento dos níveis de ansiedade, estresse e depressão entre várias pessoas.

Portanto, é hora de cuidarmos uns dos outros – e as empresas têm um grande papel nisso. Cuidar de gente, da saúde emocional e mental dos nossos colaboradores deve ser foco do RH em especial nesse momento. Vamos cuidar de gente!

Não gere pânico e sim confiança

Não podemos diminuir a gravidade e a importância do problema. Entretanto, não podemos criar pânico. O mais importante, nesse momento são mensagens verdadeiras, claras e transparentes, assim como que esse contato seja diário. Lembre-se que o isolamento é físico e não social, relacional.

Monte uma força tarefa, crie canais de comunicação mais ágeis e diretos com todos os colaboradores, tanto para mensagens emergenciais e urgentes, como para conversas informativas e construtivas.

Um dos nossos clientes aproveitou a oportunidade para criar grupos no WhatsApp, por exemplo. Outro escolheu construir um canal no Instagram Corporativo, enviando mensagens e fazendo “lives” com especialistas e assuntos relacionados. A dica é a mesma: Em meio ao caos, comunique em excesso.

Esteja presente e “perto”

Se os seus colaboradores estão trabalhando de casa, é importante que eles tenham todo o suporte necessário: técnico e emocional.

Se sua empresa adotou o home-office de maneira emergencial, confira se eles têm acesso às ferramentas que precisam para desenvolver o trabalho, como e-mails, telefone, plataformas de conferência, etc.

Mas não se esqueça do suporte emocional. Seu funcionário está vivendo – assim como todos nós – um momento de tensão. Além disso, ele está confinado dentro de casa, sozinho ou com outros familiares que também estão com medo, como cônjuges e filhos que demandam muito tempo e atenção.

Portanto, não é justo exigir que ele faça em casa exatamente o mesmo expediente que faz no escritório. Mostre que essa é uma batalha que todos vão enfrentar juntos e que a organização está com ele. Uma estratégia pode ser o rodízio entre as equipes, mantendo alguns trabalhando e outros de plantão.

Faça reuniões e acompanhamento diário. Sempre comece a conversa pelos aspectos pessoais: Como o colaborador está? Como a família e as outras pessoas da casa estão lidando com o isolamento? Como ele tem administrado os problemas que vivencia? É depois disso que se pode ir para os pontos de alinhamento e acompanhamento do trabalho.

Diante de uma crise com essas proporções está em xeque a credibilidade e a confiança nas lideranças e na área de RH. Acompanhe e aja rapidamente sobre os acontecimentos. Não dê margem para a insegurança, indecisão e menos ainda para fake news.

Os escritórios, lugar limpo e esterilizado

Para as equipes e pessoas que precisam continuar circulando pelo escritório ou outro ambiente de trabalho, a empresa tem uma obrigação ainda maior. Limpeza frequente e boas práticas de promoção de saúde e prevenção são obrigatórias e consistem em:

  • Incentivar higiene frequente – disponha de álcool em gel, lenços umedecidos e lavatórios próximos;
  • Providenciar objetos descartáveis;
  • Dar mais espaço entre as posições;
  • Reduzir os intervalos da equipe de limpeza;
  • Evitar reuniões, especialmente em salas fechadas, e privilegiar as reuniões online.

Peça transparência

É fundamental que qualquer funcionário com suspeita ou confirmação da covid-19 relate à empresa para que medidas sejam tomadas. Por isso, fale abertamente sobre a gravidade de omitir essa informação, mostrando que a única preocupação da liderança é garantir segurança e saúde a todos.

Os casos com sintomas suspeitos, assim como as pessoas do grupo de risco, devem ser afastadas imediatamente, mas também é importante que a privacidade da identidade dos colaboradores infectados seja mantida.

Instrua seus colaboradores a procurar ajuda médica apenas quando necessário e a se isolarem em caso de sintomas. No entanto, não se esqueça de reforçar com eles que a empresa deve ser informada imediatamente – e que isso não ocasionará perda de emprego.

Esse não é um momento fácil para a economia global. Precisamos ser criativos e descobrir maneiras de reduzir os impactos em nossas organizações. Fique atento para que as decisões estejam sempre alinhadas com os valores da sua empresa. É nessas horas que validamos a cultura de fato. A prioridade deve ser o bem de seus colaboradores! Faça-os entender que nesse momento todos estão juntos.

Se nas próximas semanas os escritórios e as relações de trabalho se tornarão mais tensos e carregados, é essencial que o RH esteja pronto para ajudar o colaborador e a empresa nesse desafio.

Lembre-se que “nada do que foi será do jeito que já foi um dia”. Vivermos um Novo Normal pós-pandemia. Os aprendizados serão inúmeros e precisaremos nos adaptar a uma nova era.

 

Escrito pela equipe da 157next.academy em 01 de abril de 2020

 

 

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